Advocacia trabalhistas, Civil, Trabalhista, Familia, Assessoria Juridica Empresarial. Aulas lingua árabe.
sábado, dezembro 27, 2025
Natal em Brasília de Minas
segunda-feira, agosto 18, 2025
CAMPO AZUL, MEU PORTO E MINHA RAIZ
Autor: JASAF
JOSE ANTONIO SOARES ALVES FILHO
Volto, Campo Azul, porque a cruz
me chama,
erguida firme na praça, guardiã da fé e da história,
marco sagrado onde mãos de esperança
fincaram no solo o início da memória.
Entro pela capelinha branca de
portas azuis,
onde bancos de madeira guardam gerações,
e no altar, flores simples recebem olhares
que se misturam ao incenso e às ladainhas,
num silêncio que também é oração.
Chego no calor das festas da
roça,
quando São Sebastião e São João
vestem de cores as ruas e os quintais.
Ecoa o sino, bate zabumba, corre aboio,
e o povo inteiro celebra entre novenas,
fogueiras, procissões e vaquejadas,
onde a lida é também arte e tradição.
Caminho entre chapadões e
morros,
o cerrado se abre em cores e perfumes,
pequi dourando paisagens, mangaba lembrando infância,
e a cachoeira, bênção de água clara,
refresca corpo e alma cansados.
Reencontro amigos à sombra das
mangueiras,
ouço causos repetidos, tomo pinga na calçada,
proseio besteiras, canto modas antigas,
e sinto que o coração ainda dança
na simplicidade de cada abraço.
Campo Azul, és mais que chão: és
memória viva.
És poeira da estrada, rocha azul que nomeaste a terra,
és cheiro de comida no fogão à lenha,
és sanfona que toca distante nas noites de festa.
Por isso volto, sempre volto,
porque aqui repousa minha alma,
aqui minha raiz se firma,
entre a cruz da fundação e o sino da matriz.
Campo Azul, pequena e imensa no
meu peito,
és meu ponto de partida,
és também o meu porto feliz.
quarta-feira, agosto 13, 2025
VIVER É DIFERENTE DE ESTAR VIVO
Autor: JASAF
JOSE ANTONIO SOARES ALVES FILHO
Vivo porque a estrada me chama,
porque o vento da chapada e do cerrado sopra meu nome.
Vivo pra ver a lua grande nascer
atrás do morro, mansinha, sem fome,
pra sentir o cheiro do café fresco
e ouvir o galo antes da aurora.
Vivo pra sentar na sombra do jatobá,
lá no Riacho do Meio, no banco de madeira,
prosear com o compadre sobre tempos antigos,
falar de caça, de roça, de chuva certeira,
rir das histórias de onça e capoeira,
e deixar o tempo correr sem pressa,
como corre o rio na cheia.
Vivo
pra comer feijão tropeiro com torresmo,
arroz com pequi e carne de sol bem passada,
beber água fria de pote de barro,
mastigar um pedaço de rapadura
e ouvir viola do primo Magno Bento com ponteio raro,
sabendo que ali meu coração encontra
o compasso certo do seu disparo.
Vivo
pra rever a molecada correndo descalça
pelas ruas empoeiradas de Brasília de Minas,
o vô na rede, a vó na costura,
o cheiro de bolo de fubá no forno,
a vida simples, mansa e segura,
que o mundo lá de fora não entende
e nem quer aprender essa doçura.
Vivo
pra chorar no enterro do velho amigo,
pra rir alto na festa de casamento,
pra dançar forró no salão da comunidade,
deixar que a saudade vire alimento
e que cada abraço forte me conte
o valor do tempo e do momento.
Porque
viver é diferente de estar vivo,
e não é preciso ser rico nem ter dinheiro para viver.
No Riacho do Meio e em Brasília de Minas aprendi essa lição verdadeira:
que não basta o corpo ter fôlego e passo,
é preciso ter alma inteira,
ter raiz, ter canto, ter abraço,
e se encher da paz da terra sertaneira.
Vivo pra ouvir o canto da seriema,
pra ver o entardecer vermelho no horizonte,
pra molhar o rosto na bica fria,
e beber da paz que o sertão me apronte.
segunda-feira, agosto 11, 2025
Brasilinha, por que voltar??
BRASILINHA, POR QUE
VOLTAR?
Autor: Jasaf
JOSE ANTONIO SOARES ALVES FILHO
Volto porque a saudade bateu e
me chamou,
porque o peito pediu caminho.
Volto pra ver o velho pai e a doce mamãe,
pra abraçar a mãe no cantinho,
rezar no altar, renovar meu ninho
e reacender a chama.
Volto
no São João da roça, pra dançar,
pra prosear com amigos na calçada,
tomar uma pinga com meu irmão,
tocar viola e cantar uma moda animada,
e assim sentir o pulsar do meu sertão.
Volto
pra comer carne de sol e frango caipira,
com cheiro verde, feito na panela de barro;
comer arroz com pequi
e depois, na varanda antiga, escutar causos,
soltar meu cigarro, sabendo
que meu lugar é aqui.
Volto
pra rever parentes e amigos,
pra rir dos novos e sorrir dos antigos,
pra caminhar nos pastos batidos,
revisitar a casa dos meus avós
e os cantos queridos.
Volto
pra mostrar a cidade a quem quer conhecer,
apresentar ao primo, ao tio, à filha
a cidade que é meu canto de verdade,
do meu peito feito saudade,
mostrar que aqui meu coração quer viver
e minha alma descansar.
Volto
pra ouvir as mesmas piadas e a mesma história,
e rir como se fosse a primeira vez,
ou rir como se fosse a última,
guardando tudo na memória de uma vida inteira.
Volto
pra curar dor escondida,
pra enterrar o amigo, abraçar a ferida,
pra batizar quem chega à vida
e chorar por quem partiu.
Volto
no Natal da esperança,
no carnaval da Bramoc e jacarezin, no batuque da dança,
no silêncio do sétimo dia,
na alegria da nova criança.
Volto pra celebrar meu lugar e meu chão,
pra chorar, rir, viver e cantar refrão,
pra sentir o cheiro da terra molhada
e da poeira do sertão.
Brasilinha,
me aguarde na beira.
Dessa vez volto sem bandeira;
volto por mim, volto por nós, pela história.
Volto por saudade pura e verdadeira,
voltar pra celebrar na dor e na glória,
Brasilinha é meu lar, minha vitória.
Dedicatória
Inspirado pelo eco suave de um amigo
poeta, Dr. Antônio Fabricio Gonçalves, que um dia escreveu: “Brasilinha, ir pra que?”,
deixei que as palavras corressem soltas pelo peito. E assim, guiado por saudade
e lembranças (de quando morava em São Paulo e sonhava com minha cidade)
encontrei a resposta nas ruas, nos cheiros e nos abraços que me esperavam.
Nasceu,
então, “Brasilinha,
por que voltar?”, não como réplica, mas como abraço, como
continuação de um diálogo que só o coração sabe manter.
terça-feira, abril 15, 2025
A Prova Irrefutável de Residência
Era uma tarde abafada em Coração de Jesus, dessas
em que até o ventilador do fórum gira devagar de preguiça. Dr. JASAF ajeitava
uns autos sobre a mesa quando entra no escritório um cliente conhecido, o
famoso Zé Baldino, caboclo simples, calado, mas de uma criatividade
jurídica digna de nota.
— Doutor, fui intimado pra provar que moro
onde moro mesmo — disse ele, suando mais que tampa de chaleira —. O senhor
pediu pra eu trazer o comprovante... tá aqui.
E entregou com solenidade um envelope pardo,
daqueles que parecem mais esconder segredo do que conter papel.
Dr. JASAF abriu, esperando uma conta de luz, um
carnê da loja "Móveis São Geraldo", talvez até um IPTU atrasado. Mas
o que encontrou foi algo inédito, digno de virar jurisprudência em todos os
rincões do Norte de Minas: uma foto 10x15, revelada em laboratório, onde
Zé Baldino aparecia em pé em frente à sua casa, com o dedo esticado apontando
para a placa com o número da residência.
Na imagem, via-se nitidamente a fachada da casa (de
barro batido), uma galinha ciscando perto da porta, e Zé sério, parecendo até
candidato pedindo voto, com o dedo em riste para a tabuleta onde, à mão, se
lia: "Rua do Sossego, nº 35".
— Aqui, ó, doutor! — explicou Zé com orgulho. — Eu mesmo pedi pro menino da venda tirar essa retrato. Tava sol, num deu pra eu sorrir, mas dá pra vê que sou eu mesmo. A casa é minha. E esse dedo aqui é pra mostrar que eu num tô mentindo!
Dr. JASAF respirou fundo, ajeitou os óculos no
nariz, e não se conteve: desatou a rir como há tempos não ria.
Gargalhada daquelas que fazem até o crucifixo da parede balançar.
— Zé do céu, isso aqui não é exatamente o
que o juiz pediu, mas eu vou protocolar isso só pra ver a cara do escrivão!
E assim foi feito. No despacho, Dr. JASAF escreveu:
“Junta-se aos autos fotografia atual do requerente
em frente à residência, apontando com o dedo indicador o número do imóvel.
Prova visual de inegável valor simbólico e probatório, nos moldes do princípio
da razoabilidade sertaneja.”
Resultado? O juiz, Dr Marco Antonio, homem que é de
origem “da roça” e conhece a simplicidade do sertanejo, deferiu com uma
observação:
“Em que pese a ausência de documento oficial, a
criatividade e boa-fé do jurisdicionado suplantam a formalidade. Considero
comprovado o endereço.”
E dizem que, desde esse dia, o cartório passou a
aceitar “foto com dedo indicador” como início de prova documental.
segunda-feira, abril 14, 2025
Honorario À mão armada.
Lá pelos idos de 2001, quando São Paulo ainda era
mais cinzenta do que é hoje, o jovem e já combativo Dr. JASAF palmilhava os
fóruns da capital com seu terno surrado, a pasta recheada de petições e o
espírito cheio de justiça.
Num desses dias, após uma audiência criminal
acalorada — daquelas em que o juiz torce o nariz, o promotor range os dentes e
o réu só falta chorar —, foi proferida a sentença: absolvição. O
meliante, figura conhecida nos corredores do sistema, foi posto em liberdade.
Na saída, ainda diante do portão de ferro do Fórum,
Dr. JASAF virou-se para o cliente, ergueu o queixo com altivez e disse:
— “Acho que a minha defesa foi magnífica! Agora,
como homem livre, passe amanhã pelo meu escritório para acertarmos as contas.”
O sujeito, com a cara mais lisa que mármore de
cemitério, respondeu:
— “Doutor, neste momento estou sem um centavo
furado. Mas juro-lhe, o próximo assalto será para lhe pagar.”
Dr. JASAF franziu o cenho, ajeitou o paletó e
disparou:
— “Negativo. Sou advogado, não cúmplice. Esse
serviço entra pra conta do pro bono.”
Deu-lhe as costas e seguiu, com a consciência limpa
e os princípios em dia.
Moral da história:
Advogado de verdade defende a legalidade — não financia o crime. Honra não
se negocia, nem se parcela. E quem vende a ética por moedas, compra a própria
ruína com recibo em cartório.
O Futuro da Justiça e o Avanço Tecnológico: Os Fóruns Vazios e a Nova Era do E-Processo
O Futuro da Justiça e o Avanço Tecnológico: Os Fóruns Vazios e a Nova
Era do E-Processo
Autor: JASAF - Advogado, especialista em Direito Cível, Previdenciário, Trabalhista e Criminal
Estou
observando que o cenário atual da Justiça brasileira, especialmente nas
comarcas do interior, revela uma transformação silenciosa, porém profunda, da
estrutura do Poder Judiciário.
A Justiça mudou. E mudou rápido.
A mudança não por acaso, tampouco fruto de negligência: trata-se de uma consequência direta do avanço tecnológico, a chamada “virtualização” que hoje atinge, de forma irreversível, todos os ramos da vida social — inclusive a Justiça.
Do Processo Físico ao Processo Eletrônico: Uma Revolução Silencios
A implantação do processo eletrônico (PJe) foi o marco inicial dessa revolução.
Facilitou o peticionamento remoto, já quase não exista petições físicas, ou seja reduziu significativamente a papelada, acelerou o trâmite dos autos e desonerou os fóruns de sua função burocrática tradicional.
Com o avanço do processo eletrônico, sistemas como PJe, Projudi e e-SAJ dominaram o cenário jurídico. E com eles veio a desmaterialização dos atos jurídicos.
Este
cenário revela um novo tipo de advocacia — mais dinâmica, desmaterializada e
interconectada — e exige também uma nova concepção de estrutura judiciária.
O Horizonte do E-Processo: A Próxima Etapa
Vale a pena dar uma
olhada:
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2022/08/apresentacao-relatorio-justica-em-numeros-dra-ana-lucia-e-gabriela-soares.pdf
https://www.cnj.jus.br/tecnologia-da-informacao-e-comunicacao/justica-4-0/
A Obsolescência da Estrutura Física
Diante
dessa realidade, penso que a manutenção de estruturas físicas extensas e
onerosas, como fóruns regionais em pequenos municípios, torna-se cada vez mais
questionável.
Veja
que aqui em Brasilia de Minas, estava previsto a construção de um prédio para
abrigar o novo Fórum, mas acho que após essa nova realidade, a construção de
tal prédio se torna desnecessária.
A
manutenção de prédios públicos onerosos e pouco frequentados, especialmente nas
comarcas de menor movimento, se torna cada vez mais difícil de justificar. Até mesmo porque o Estado, pressionado por sua própria limitação
orçamentária e pela necessidade de racionalizar gastos, deverá reconsiderar o
destino desses imóveis públicos.
Não seria
surpreendente, portanto, se em breve o Poder Judiciário iniciasse tratativas
com o Executivo ou mesmo com a iniciativa privada para a devolução, cessão ou
alienação de imóveis subutilizados.
O fórum, enquanto
prédio, tornou-se simbólico, ficará agora, somente na lembrança dos advogadoa
mais antigos, há vista que funcionalmente dispensável.
O
"julgamento" agora está na nuvem.
O Futuro da Advocacia e o Desafio da Presença Humana
Para
a advocacia tradicional, assim como eu formado em 1999 e que acompanhei de
perto toda essa transformação, este é um momento decisivo: adaptar-se ou
desaparecer.
O
profissional do Direito deve tornar-se também um gestor de tecnologia, um
operador de sistemas jurídicos automatizados e um intérprete de dados.
A
humanização da Justiça, nesse contexto, não será mais função do balcão do
fórum, mas da sensibilidade que o advogado imprimirá ao utilizar ferramentas
digitais sem perder de vista a essência do Direito — o ser humano, pois a sensibilidade, a presença e o
tato humano, que sempre foram atributos insubstituíveis do profissional, agora
devem conviver com a linguagem dos sistemas, a lógica dos dados e a frieza dos
algoritmos
O
que está em jogo não é apenas o fechamento de prédios, demissão funcionários ou
extinção de cargos, mas a redefinição do papel do Estado-Juiz.
Se,
por um lado, o Judiciário torna-se mais ágil e acessível virtualmente, por
outro, corre-se o risco de sua despersonalização e da cristalização de uma
justiça “fria”, algorítmica e distante.
. Aqueles
que resistirem a essa evolução correm o risco de se tornarem obsoletos junto
com os velhos arquivos empoeirados dos fóruns. Mas os que se adaptarem — e
mantiverem viva a alma da advocacia — serão os faróis de humanidade nesse mar
digital.
Uma Justiça Itinerante, Inteligente e Descentralizada?
O
que poderá acontecer é que no lugar dos fóruns atuais seja implantado um modelo
híbrido, com núcleos físicos regionais altamente equipados, funcionando como
hubs de atendimento presencial para casos excepcionais, enquanto o restante do
serviço judiciário opera em nuvem, ou seja os novos fóruns passaram a ser uma
pequena sala com número reduzido de funcionários.
As
sustentações orais, júris, perícias complexas. Atos antes impensáveis à
distância, como audiências e conciliações, hoje se realizam com naturalidade em
salas virtuais. Amanhã, podem ocorrer em ambientes de realidade aumentada ou
metaverso.
Vamos
imaginar um sistema em que o processo corre integralmente por blockchain, com
validade inquestionável dos atos, acessado por qualquer das partes em tempo
real, sem risco de extravio, morosidade ou perda de prazo.
A
Justiça poderá se tornar itinerante novamente — mas não mais com o juiz a
cavalo, como na época do Saudoso Dr. Cassiano de Oliveira, — e sim por meio de
drones, satélites e conexões em alta velocidade que levarão a jurisdição até a
comunidade mais remota.
O Judiciário não
será menos humano — mas será diferente. E os fóruns do interior, vazios como
estão hoje em dia, são apenas o prenúncio dessa metamorfose.
sexta-feira, abril 11, 2025
O CONTRATO DO GOOGLE
O CONTRATO DO GOOGLE
Era uma vez um sujeito que conseguiu uma boa
oportunidade: fora chamado para prestar serviços numa emissora de rádio. Feliz
com a chance, procurou o Dr. JASAF para uma assessoria jurídica. Queria um
contrato redondinho, coisa profissional. O Doutor, experiente e metódico,
analisou a situação, preparou a minuta, precificou o trabalho e apresentou o
valor da consultoria.
O cliente olhou o preço, torceu o nariz e disse com
aquele ar de quem acha que advogado é só enfeite:
— "É só um contratinho, Dr., eu mesmo faço
isso aí..."
Virou as costas e foi pro Google.
Baixou um modelo qualquer, desses bem genéricos,
trocou o nome da empresa, copiou e colou uns termos que soavam bonitos, e
mandou direto para emissora, achando que tinha feito um golaço. A rádio, como é
de praxe, repassou o documento ao setor jurídico interno. O jurídico leu, riu,
ajustou o texto conforme os interesses da emissora e devolveu. O cliente,
afoito, assinou sem sequer reler.
Passou um mês. Nada de pagamento na conta.
Mais cinco dias. O cliente resolve ligar:
— "Oi, tudo bem? O pagamento ainda não
caiu, aconteceu algum problema?"
A atendente, com voz tranquila, respondeu:
— "Não, tá tudo certo, está dentro do
combinado."
— "Combinado? Que combinado?!" —
estranhou ele.
— "Está no contrato, você não viu? O
jurídico daqui incluiu um período de experiência de dois meses, só depois
começa o pagamento. Seu advogado não viu isso?"
Silêncio.
E ali caiu a ficha.
Moral da história:
Quem acha caro pagar por conhecimento,
invariavelmente paga mais caro pela ignorância. Contrato não é receita de bolo
de internet. E Google não substitui um advogado com experiência.
MAIS UM DIVÓRCIO QUE DR. JASAF IMPEDIU
João do Caminhão, homem bruto da boleia e de coração mais mole que pudim de leite, chegou bufando ao escritório do Dr. JASAF. Sentou-se, tirou o boné e disse sem rodeios:
— “Doutor, vim aqui pra me divorciar. Tô
decidido. A minha mulher me enganou!”
Dr. JASAF, já acostumado com dramas conjugais
mais acalorados que novela mexicana, cruzou as mãos sobre a mesa e foi direto:
— “De acordo com a sua vontade, o senhor quer
divorciar-se da sua mulher porque ela o enganou. É isso?”
João assentiu com a cabeça, o rosto meio
vermelho:
— “É sim, senhor doutor. Ela mesma me confessou
que amava outro.”
Dr. JASAF levantou a sobrancelha, fez uma pausa
estratégica e, com aquela lógica afiada que só o sertão é capaz de parir,
disse:
— “Mas então... se ela confessou, disse-lhe a
verdade. Logo, não o enganou.”
João ficou calado. O cérebro dele patinou por
um segundo como caminhão sem tração no barro. Coçou a cabeça, pensou e
murmurou:
— “Uai... é mesmo...”
Saiu dali pensativo, com o divórcio adiado e a
cabeça cheia de perguntas existenciais. E Dr. JASAF? Risos contidos, mais um
casamento salvo pela astúcia jurídica.
terça-feira, abril 08, 2025
O dia em que o Dr. JASAF desfez um divórcio com uma só frase
Causo de Fórum:
Era uma manhã abafada no Fórum de Brasília de Minas. A audiência era de divórcio litigioso.
De um lado, Maria das Dores, raivosa, braço cruzado e cara fechada.
Do outro, Zé Aparecido, pescador aposentado, calado, bigode tremendo.
O casamento já ia pra vinte e cinco anos. Desses, os últimos dois só de briga, segundo os autos. Motivo: ciúmes, desconfiança, e uma discussão sobre o celular que ele deixou trancado com senha.
Chamaram o Dr. JASAF para defender a mulher. Ela queria casa, pensão, e até que o cachorro ficasse com ela. O marido estava com um defensor nomeado, daqueles novos, engomadinhos.
Antes da audiência começar, a conciliadora tentou apaziguar:
— “Será que não querem conversar, antes da audiência?”
Maria das Dores respondeu:
— “Eu só falo com ele na frente do juiz. E com o advogado do meu lado.”
Zé Aparecido, nervoso, falou:
— “Eu só quero que ela me deixe em paz. Pode ficar com o cachorro.”
Começou o bate-boca. JASAF pediu a palavra, levantou-se com calma, ajeitou o paletó, olhou pros dois e disse:
— “Maria, me diga uma coisa… depois de vinte e cinco anos com esse homem, você quer mesmo começar do zero, aguentar outro roncando, ensinando onde fica o sal na cozinha? E você, Zé, acha mesmo que vai achar outra que te ature pescando, roncando, e jogando truco com os mesmos amigos de sempre?”
Silêncio.
A juíza sorriu. O escrevente até parou de digitar.
Maria das Dores abaixou os olhos. Zé coçou a cabeça.
E o golpe final:
“Vocês não precisam se separar, precisam é se escutar. Vocês estão brigando com saudade, não com raiva.”
Cinco minutos depois, Maria já tinha tirado a mão do braço. Zé passou a mão nas costas dela. O advogado do réu já tava guardando os papéis.
Saíram do fórum de mãos dadas, e no corredor ela falou:
— “Vamos almoçar lá em casa. Mas me dá a senha do celular.”
E ele:
— “É seu aniversário, mulher. Sempre foi.
Moral do causo:
O Direito resolve processos. Mas às vezes, o advogado bom mesmo resolve é coração ferido.
PROFISSÕES EM EXTINÇÃO NO DIREITO: O QUE A TRADIÇÃO NOS ENSINA SOBRE O FUTURO
Autor: Dr. JASAF - Advogado, especialista em
Direito Cível, Trabalhista e Criminal
Este artigo é uma reflexão profunda,
tradicional e analítica sobre o desaparecimento de profissões históricas no
âmbito jurídico. Em tempos de automação, digitalização e inteligência
artificial, é fundamental entender o que estamos perdendo para não abrir mão da
alma do Direito.
O Direito está
mudando. E com ele, silenciosamente, desaparecem ofícios que sustentaram o
funcionamento da Justiça por gerações. Neste primeiro capítulo, apresentamos o
panorama geral e iniciamos a série.
O Direito, embora
ancorado em fundamentos milenares e estruturado sobre os pilares da tradição,
não está imune às transformações que assolam a sociedade contemporânea. O que
antes era ofício, hoje se vê reduzido a linha de código. O que era profissão
respeitada, hoje se torna função descartável diante do avanço digital e da
frieza algorítmica.
Nos últimos 30
anos, assistimos à gradual e silenciosa extinção de diversas profissões
jurídicas – algumas essenciais na construção do sistema de justiça brasileiro.
Não falamos aqui apenas da substituição de tarefas, mas da morte simbólica de
ofícios que sustentavam a alma processual: escrivães, oficiais de justiça
diligentes, contadores judiciais minuciosos, peritos detalhistas, advogados
despachantes, copiadores de petições, datilógrafos forenses. Onde estão?
A modernização,
impulsionada por sistemas como o PJe, e-SAJ, e pelos tribunais 100% digitais,
levou à redução do contato humano, da análise intuitiva e do juízo de valor
construído pela experiência de campo. Em nome da celeridade, perdemos, por
vezes, a essência.
Este artigo é o
primeiro de uma série dedicada a resgatar a memória dessas profissões extintas
ou em risco dentro do mundo jurídico. Vamos abordar, com olhar crítico e
tradicional, as funções que estão desaparecendo dos corredores do fórum, mas
que deixaram um legado que merece ser reconhecido, preservado e talvez,
reinventado.
Porque nem tudo que é antigo deve ser
descartado. E nem toda inovação traz justiça.
PROFISSÕES QUE ESTÃO SUMINDO DOS FÓRUNS
O Escrivão: De Senhor do Processo ao Fantasma Digital
Figura central do
processo, o escrivão era o garantidor formal da legalidade dos atos. Com a
informatização, perdeu protagonismo e identidade funcional. Tornou-se operador
de sistema.
Durante séculos, a
figura do escrivão judicial ocupou posição central e quase soberana na
engrenagem processual. Era ele o “senhor do processo”, guardião das peças,
mestre dos prazos, e comandante dos ritos cartorários. Nenhuma petição
ingressava sem sua chancela; nenhum ato se concretizava sem sua lavratura.
Era ele quem “dava
vida” aos autos, redigia termos, conferia prazos, rubricava atos e, sobretudo,
garantia a ordem formal da justiça escrita.
O prestígio era
tanto que muitos juízes temiam o escrivão mais experiente, cuja memória dos
autos e dos segredos do cartório superava qualquer sistema. Na prática, era um
“guardião do processo”.
Com o advento do
processo eletrônico (PJe, e-SAJ, Projudi), o papel do escrivão foi reduzido a
um operador técnico de sistemas, muitas vezes substituído por estagiários ou
chefes de cartório. A autoridade simbólica da caneta azul foi substituída por
um login e senha.
A informatização
dos atos processuais, se por um lado garante celeridade, por outro elimina o
controle humano sensível das fases processuais.
A morte simbólica
do escrivão tradicional representa a perda de um ofício de responsabilidade e
honra. Hoje, o processo caminha sozinho, mas frio, despersonalizado.
O Contador Judicial e os Peritos: O Número Substituído pelo
Robô
Essenciais para liquidações de sentença e
interpretação de fatos complexos, estão sendo substituídos por IA e cálculos
automatizados. A precisão perdeu para a padronização.
O contador
judicial, figura vital nas execuções e liquidações, era o responsável por
traduzir a sentença em valores reais. Cálculos de juros, correção monetária,
índices e até mesmo revisões complexas em direito previdenciário ou trabalhista
dependiam de sua caneta técnica.
Com o surgimento de
softwares como o Cálculo Jurídico, JusPrev, ProCalc, Excel Jurídico, e até
decisões com liquidação automática via IA, esse profissional foi perdendo
espaço.
O mesmo ocorre com
muitos peritos judiciais – engenheiros, agrimensores, contadores – que antes
percorriam o campo, examinavam, mediam, laçavam a realidade com a mão. Hoje,
muitos laudos são produzidos por IA com base em bancos de dados públicos.
O Advogado
Correspondente e o Fim do Despachante Jurídico
A figura do
advogado itinerante e do despachante forense ruiu com o processo virtual. A
presença no fórum deu lugar ao envio de PDFs e petições via sistema.
A interação humana
perdeu espaço.
O advogado
correspondente já foi indispensável para sustentar estruturas de escritórios em
outras comarcas: audiências, protocolos físicos, carga rápida, entrega de
memoriais.
Após 2020, a
virtualização imposta pela pandemia consolidou um novo cenário: audiências
virtuais, peticionamento eletrônico universal e acesso remoto a quase todos os
atos.
O despachante
jurídico, figura histórica dos corredores do fórum, com sua maleta cheia de
papéis e sua arte de convencimento, praticamente desapareceu. Os juízes não
mais recebem presencialmente. Os memoriais viraram PDFs sem alma.
A frieza digital
impôs limites à advocacia artesanal. Restam os que dominam a arte da retórica
escrita, da persuasão documentada.
O Oficial de Justiça:
Entre a Botina e o Bit
O elo entre a
Justiça e o mundo real. Com a substituição por citações digitais, essa figura
começa a desaparecer, levando com ela a compreensão empírica da lide.
Poucas figuras
evocam tanta tradição quanto o oficial de justiça. De terno puído ou botina
firme, com pastinha de papel, enfrentava porteiros, atravessava matas, subia
escadarias — era o “braço do juiz”.
Com a evolução das
ferramentas de intimação via WhatsApp, e-mail institucional, DJe, citações
eletrônicas por sistema de cooperação (como o JusAPPS), o oficial começa a
perder sua razão de ser em áreas urbanas.
A citação por meio
eletrônico é válida, desde que assegurada a autenticidade e a ciência
inequívoca da parte.
Mas a verdade é que
sem o oficial, a justiça perde corpo. Ele era o elo entre o mundo jurídico e o
mundo real. Era quem ouvia a parte no portão, via a miséria da família, media a
tensão de um despejo, registrava o medo num olhar.
A substituição por
mensagens automáticas pode ser prática, mas esvazia o elemento humano da
jurisdição.
A Advocacia Artesanal
vs. a Advocacia Automatizada
Softwares de petição automática e IA já
executam tarefas antes feitas por advogados iniciantes. O que resta é o campo
da estratégia, da análise fíníssima e da capacidade humana de persuadir.
O Futuro do Direito com Alma Tradicional
Onde o advogado é
insubstituível: audiências, negociação, conselhos, experiência, presença.
Num mundo cada vez
mais dominado por algoritmos e inteligência artificial, o Direito precisa
preservar sua alma tradicional.
O advogado
permanece insubstituível quando se trata de audiências, negociações complexas,
conselhos prudentes e a vivência forjada pela experiência. Sua presença humana
transcende qualquer máquina, pois a justiça não é apenas cálculo — ela exige
consciência, sensibilidade e ética.
O futuro do
Direito, para ser justo, deve avançar com a tecnologia sem abandonar a
sabedoria milenar que sustenta sua legitimidade. A toga pode até conviver com o
digital, mas jamais será substituída por ele.
A justiça requer
mais do que dados. Exige consciência.
O Direito Mudou,
Mas o Advogado Persiste
O Direito está em
mutação, mas a figura do advogado que pensa, que sente e que representa
continua viva. A tradição nos ensina a preservar o essencial: o humano.
Dr. JASAF é advogado desde 2000, especialista
em Direito Cível, Trabalhista e Criminal. Atua pela JASAF Consultoria e
Assessoria Jurídica em SP, MG e DF. Estudioso da tradição jurídica e defensor
da justiça com alma.
Para saber mais e acompanhar acesse: https://jasaf.jusbrasil.com.br, https://jasaf.blogspot.com