segunda-feira, agosto 18, 2025

CAMPO AZUL, MEU PORTO E MINHA RAIZ

                                                                                                                             Autor: JASAF

JOSE ANTONIO SOARES ALVES FILHO

Volto, Campo Azul, porque a cruz me chama,
erguida firme na praça, guardiã da fé e da história,
marco sagrado onde mãos de esperança
fincaram no solo o início da memória.

Entro pela capelinha branca de portas azuis,
onde bancos de madeira guardam gerações,
e no altar, flores simples recebem olhares
que se misturam ao incenso e às ladainhas,
num silêncio que também é oração.

Chego no calor das festas da roça,
quando São Sebastião e São João
vestem de cores as ruas e os quintais.
Ecoa o sino, bate zabumba, corre aboio,
e o povo inteiro celebra entre novenas,
fogueiras, procissões e vaquejadas,
onde a lida é também arte e tradição.

Caminho entre chapadões e morros,
o cerrado se abre em cores e perfumes,
pequi dourando paisagens, mangaba lembrando infância,
e a cachoeira, bênção de água clara,
refresca corpo e alma cansados.

Reencontro amigos à sombra das mangueiras,
ouço causos repetidos, tomo pinga na calçada,
proseio besteiras, canto modas antigas,
e sinto que o coração ainda dança
na simplicidade de cada abraço.

Campo Azul, és mais que chão: és memória viva.
És poeira da estrada, rocha azul que nomeaste a terra,
és cheiro de comida no fogão à lenha,
és sanfona que toca distante nas noites de festa.

Por isso volto, sempre volto,
porque aqui repousa minha alma,
aqui minha raiz se firma,
entre a cruz da fundação e o sino da matriz.

Campo Azul, pequena e imensa no meu peito,
és meu ponto de partida,
és também o meu porto feliz.

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