Lá pelos idos de 2001, quando São Paulo ainda era
mais cinzenta do que é hoje, o jovem e já combativo Dr. JASAF palmilhava os
fóruns da capital com seu terno surrado, a pasta recheada de petições e o
espírito cheio de justiça.
Num desses dias, após uma audiência criminal
acalorada — daquelas em que o juiz torce o nariz, o promotor range os dentes e
o réu só falta chorar —, foi proferida a sentença: absolvição. O
meliante, figura conhecida nos corredores do sistema, foi posto em liberdade.
Na saída, ainda diante do portão de ferro do Fórum,
Dr. JASAF virou-se para o cliente, ergueu o queixo com altivez e disse:
— “Acho que a minha defesa foi magnífica! Agora,
como homem livre, passe amanhã pelo meu escritório para acertarmos as contas.”
O sujeito, com a cara mais lisa que mármore de
cemitério, respondeu:
— “Doutor, neste momento estou sem um centavo
furado. Mas juro-lhe, o próximo assalto será para lhe pagar.”
Dr. JASAF franziu o cenho, ajeitou o paletó e
disparou:
— “Negativo. Sou advogado, não cúmplice. Esse
serviço entra pra conta do pro bono.”
Deu-lhe as costas e seguiu, com a consciência limpa
e os princípios em dia.
Moral da história:
Advogado de verdade defende a legalidade — não financia o crime. Honra não
se negocia, nem se parcela. E quem vende a ética por moedas, compra a própria
ruína com recibo em cartório.
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