segunda-feira, abril 14, 2025

Honorario À mão armada.

 


Lá pelos idos de 2001, quando São Paulo ainda era mais cinzenta do que é hoje, o jovem e já combativo Dr. JASAF palmilhava os fóruns da capital com seu terno surrado, a pasta recheada de petições e o espírito cheio de justiça.

Num desses dias, após uma audiência criminal acalorada — daquelas em que o juiz torce o nariz, o promotor range os dentes e o réu só falta chorar —, foi proferida a sentença: absolvição. O meliante, figura conhecida nos corredores do sistema, foi posto em liberdade.

Na saída, ainda diante do portão de ferro do Fórum, Dr. JASAF virou-se para o cliente, ergueu o queixo com altivez e disse:

“Acho que a minha defesa foi magnífica! Agora, como homem livre, passe amanhã pelo meu escritório para acertarmos as contas.”

O sujeito, com a cara mais lisa que mármore de cemitério, respondeu:

“Doutor, neste momento estou sem um centavo furado. Mas juro-lhe, o próximo assalto será para lhe pagar.”

Dr. JASAF franziu o cenho, ajeitou o paletó e disparou:

“Negativo. Sou advogado, não cúmplice. Esse serviço entra pra conta do pro bono.”

Deu-lhe as costas e seguiu, com a consciência limpa e os princípios em dia.


Moral da história:
Advogado de verdade defende a legalidade — não financia o crime. Honra não se negocia, nem se parcela. E quem vende a ética por moedas, compra a própria ruína com recibo em cartório.

 

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