Causo de Fórum:
Era uma manhã abafada no Fórum de Brasília de Minas. A audiência era de divórcio litigioso.
De um lado, Maria das Dores, raivosa, braço cruzado e cara fechada.
Do outro, Zé Aparecido, pescador aposentado, calado, bigode tremendo.
O casamento já ia pra vinte e cinco anos. Desses, os últimos dois só de briga, segundo os autos. Motivo: ciúmes, desconfiança, e uma discussão sobre o celular que ele deixou trancado com senha.
Chamaram o Dr. JASAF para defender a mulher. Ela queria casa, pensão, e até que o cachorro ficasse com ela. O marido estava com um defensor nomeado, daqueles novos, engomadinhos.
Antes da audiência começar, a conciliadora tentou apaziguar:
— “Será que não querem conversar, antes da audiência?”
Maria das Dores respondeu:
— “Eu só falo com ele na frente do juiz. E com o advogado do meu lado.”
Zé Aparecido, nervoso, falou:
— “Eu só quero que ela me deixe em paz. Pode ficar com o cachorro.”
Começou o bate-boca. JASAF pediu a palavra, levantou-se com calma, ajeitou o paletó, olhou pros dois e disse:
— “Maria, me diga uma coisa… depois de vinte e cinco anos com esse homem, você quer mesmo começar do zero, aguentar outro roncando, ensinando onde fica o sal na cozinha? E você, Zé, acha mesmo que vai achar outra que te ature pescando, roncando, e jogando truco com os mesmos amigos de sempre?”
Silêncio.
A juíza sorriu. O escrevente até parou de digitar.
Maria das Dores abaixou os olhos. Zé coçou a cabeça.
E o golpe final:
“Vocês não precisam se separar, precisam é se escutar. Vocês estão brigando com saudade, não com raiva.”
Cinco minutos depois, Maria já tinha tirado a mão do braço. Zé passou a mão nas costas dela. O advogado do réu já tava guardando os papéis.
Saíram do fórum de mãos dadas, e no corredor ela falou:
— “Vamos almoçar lá em casa. Mas me dá a senha do celular.”
E ele:
— “É seu aniversário, mulher. Sempre foi.
Moral do causo:
O Direito resolve processos. Mas às vezes, o advogado bom mesmo resolve é coração ferido.
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