sábado, dezembro 27, 2025

Natal em Brasília de Minas

Natal chega manso em Brasília de Minas,
Terra seca, céu aberto, fé antiga.
O sino bate cedo, chamando o povo,
Mais que festa, é lembrança viva.

Luz simples nas janelas, presépio armado,
Sem luxo, sem excesso, só respeito.
O Menino nasce pobre, como sempre,
Para lembrar que grandeza mora no jeito.

A praça se enche de passos conhecidos,
Cumprimento firme, olho no olho, sem pressa.
Aqui Natal não é vitrine nem promessa vazia,
É mesa dividida, é conversa sincera.
Quando a noite cai na roça silenciosa,

A estrela risca o céu escuro e seguro.
É a mesma que guiou os Reis do Oriente,
E ainda aponta caminho ao sertanejo duro.

Então ecoa a Folia cortando estrada e vereda,
Sanfona chorada, caixa marcando o compasso.
Bandeira erguida com fé e promessa,
O sagrado entrando em cada espaço.

De porta em porta, o povo abre a casa,
Oferece o que tem, sem ostentação.
Verso simples, canto antigo e verdadeiro,
Porque fé não se mede, se vive no coração.

Assim fazia Zezinho de Fila,
Homem reto, palavra dada e cumprida.
Guiava os foliões com devoção antiga,
Transformando canto em lição de vida.

Na sala, o presépio; na cozinha, partilha.
Oração curta, direta, sem enfeite.
Pedido simples: saúde, paz e trabalho,
E coragem pra enfrentar o ano seguinte.

Natal em Brasília de Minas é assim:
Chão batido, memória, tradição.
É Folia de Reis, família reunida,
Fé antiga sustentando o coração do sertão.

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