Autor: JASAF
JOSE ANTONIO SOARES ALVES FILHO
Vivo porque a estrada me chama,
porque o vento da chapada e do cerrado sopra meu nome.
Vivo pra ver a lua grande nascer
atrás do morro, mansinha, sem fome,
pra sentir o cheiro do café fresco
e ouvir o galo antes da aurora.
Vivo pra sentar na sombra do jatobá,
lá no Riacho do Meio, no banco de madeira,
prosear com o compadre sobre tempos antigos,
falar de caça, de roça, de chuva certeira,
rir das histórias de onça e capoeira,
e deixar o tempo correr sem pressa,
como corre o rio na cheia.
Vivo
pra comer feijão tropeiro com torresmo,
arroz com pequi e carne de sol bem passada,
beber água fria de pote de barro,
mastigar um pedaço de rapadura
e ouvir viola do primo Magno Bento com ponteio raro,
sabendo que ali meu coração encontra
o compasso certo do seu disparo.
Vivo
pra rever a molecada correndo descalça
pelas ruas empoeiradas de Brasília de Minas,
o vô na rede, a vó na costura,
o cheiro de bolo de fubá no forno,
a vida simples, mansa e segura,
que o mundo lá de fora não entende
e nem quer aprender essa doçura.
Vivo
pra chorar no enterro do velho amigo,
pra rir alto na festa de casamento,
pra dançar forró no salão da comunidade,
deixar que a saudade vire alimento
e que cada abraço forte me conte
o valor do tempo e do momento.
Porque
viver é diferente de estar vivo,
e não é preciso ser rico nem ter dinheiro para viver.
No Riacho do Meio e em Brasília de Minas aprendi essa lição verdadeira:
que não basta o corpo ter fôlego e passo,
é preciso ter alma inteira,
ter raiz, ter canto, ter abraço,
e se encher da paz da terra sertaneira.
Vivo pra ouvir o canto da seriema,
pra ver o entardecer vermelho no horizonte,
pra molhar o rosto na bica fria,
e beber da paz que o sertão me apronte.
3 comentários:
Que lindo!!!!
Que lindo primo! 👏
Lindo demais!!! 😍
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