BRASILINHA, POR QUE
VOLTAR?
Autor: Jasaf
JOSE ANTONIO SOARES ALVES FILHO
Volto porque a saudade bateu e
me chamou,
porque o peito pediu caminho.
Volto pra ver o velho pai e a doce mamãe,
pra abraçar a mãe no cantinho,
rezar no altar, renovar meu ninho
e reacender a chama.
Volto
no São João da roça, pra dançar,
pra prosear com amigos na calçada,
tomar uma pinga com meu irmão,
tocar viola e cantar uma moda animada,
e assim sentir o pulsar do meu sertão.
Volto
pra comer carne de sol e frango caipira,
com cheiro verde, feito na panela de barro;
comer arroz com pequi
e depois, na varanda antiga, escutar causos,
soltar meu cigarro, sabendo
que meu lugar é aqui.
Volto
pra rever parentes e amigos,
pra rir dos novos e sorrir dos antigos,
pra caminhar nos pastos batidos,
revisitar a casa dos meus avós
e os cantos queridos.
Volto
pra mostrar a cidade a quem quer conhecer,
apresentar ao primo, ao tio, à filha
a cidade que é meu canto de verdade,
do meu peito feito saudade,
mostrar que aqui meu coração quer viver
e minha alma descansar.
Volto
pra ouvir as mesmas piadas e a mesma história,
e rir como se fosse a primeira vez,
ou rir como se fosse a última,
guardando tudo na memória de uma vida inteira.
Volto
pra curar dor escondida,
pra enterrar o amigo, abraçar a ferida,
pra batizar quem chega à vida
e chorar por quem partiu.
Volto
no Natal da esperança,
no carnaval da Bramoc e jacarezin, no batuque da dança,
no silêncio do sétimo dia,
na alegria da nova criança.
Volto pra celebrar meu lugar e meu chão,
pra chorar, rir, viver e cantar refrão,
pra sentir o cheiro da terra molhada
e da poeira do sertão.
Brasilinha,
me aguarde na beira.
Dessa vez volto sem bandeira;
volto por mim, volto por nós, pela história.
Volto por saudade pura e verdadeira,
voltar pra celebrar na dor e na glória,
Brasilinha é meu lar, minha vitória.
Dedicatória
Inspirado pelo eco suave de um amigo
poeta, Dr. Antônio Fabricio Gonçalves, que um dia escreveu: “Brasilinha, ir pra que?”,
deixei que as palavras corressem soltas pelo peito. E assim, guiado por saudade
e lembranças (de quando morava em São Paulo e sonhava com minha cidade)
encontrei a resposta nas ruas, nos cheiros e nos abraços que me esperavam.
Nasceu,
então, “Brasilinha,
por que voltar?”, não como réplica, mas como abraço, como
continuação de um diálogo que só o coração sabe manter.
7 comentários:
Que saudade de tudo isso..
Lindo...lindo! Parabéns!
Muito lindo! ❤️
Só os amantes sinceros amam a sua terra como ama a mulher mais bonita do seu torrão natal,escrever não é saber é sentir a voz caliente ,a chamada do torrão amado parabens,Juca jatobá
Lindo, com essas palavras ,falou um pouco do sentimento de cada Brasilminense ausente e que um dia espera voltar, também são palavras de outros ausente ,do povo sertanejo que sempre espera de fato voltar e assim estar juntos dos seus.
Nossa esses poemas, tenho saudades de tudo isso
Lindo poema shou de bola
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